Em vez de apresentar perspectivas que contribuam para o crescimento do Brasil, o Governo Federal segue perseverante em sua política para enfraquecer o nosso país. O desmonte da estrutura do Estado chega até mesmo ao papel estratégico que a Petrobras vem desempenhando na geração de combustíveis a partir de fontes renováveis.

A estatal construiu uma das principais empresas do setor no Brasil, a Petrobras Biocombustível (PBio), mas o governo brasileiro quer concretizar a sua privatização.

Com uma obsessão por encolher a Petrobras, sempre com o discurso de “otimização de portfólio de negócios” (que, na prática, significa: virar meramente uma empresa de extração e venda de petróleo cru a preço de banana), o governo de Jair Bolsonaro fará com que a estatal deixe de ser uma das maiores petrolíferas do mundo.

É a entrega de um patrimônio que fez do Brasil um dos três maiores produtores de biodiesel do mundo, com operações bastante lucrativas. Só em 2019, o lucro líquido da PBio foi de R$ 243 milhões.

Com a privatização, a estatal abre mão da participação no mercado de biocombustíveis e produção de combustível com menor emissão de gases poluentes (principalmente o gás carbônico), justamente no momento em que o mundo discute a mudança para outras fontes de energia.

Decisão afetará Minas Gerais

Na mira do projeto que causará prejuízo ambiental e econômico ao Brasil está a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, inaugurada em abril de 2009. A partir do óleo retirado de plantas como soja, palmeiras e algodão, a usina tem capacidade de produzir até 150 milhões de litros de biocombustível por ano.

O projeto tem grande potencial, inclusive para a geração de lucro, por atuar em um mercado em franca expansão, que sustenta mais de 9 mil famílias produtoras rurais da região e é referência ambiental, por usar uma matriz energética mais limpa.

A Petrobras também montou usinas de biocombustíveis na Bahia e no Ceará.
Tudo isso, no entanto, está prestes a ser entregue a empresas privadas, que visam apenas o lucro – ao contrário das estatais, que têm como objetivo oferecer serviço de qualidade, com compromisso ambiental, preços reduzidos, e com a economia local.

Exploração privada e emissão de poluentes

O mundo está mudando e há uma preocupação crescente quanto à atuação de empresas que causam danos ambientais em larga escala.

A petrolífera multinacional Shell, foi a primeira corporação na história a ser obrigada a se alinhar ao Acordo Climático de Paris, após ser responsabilizada no Tribunal Internacional de Haia por contribuir diretamente com o desequilíbrio climático mundial.

A partir de uma ação movida pela organização Amigos da Terra, a companhia foi obrigada a firmar acordo para reduzir em 45% até o ano de 2030 suas emissões de gás carbônico (CO2), hoje em torno de 31,95 bilhões de toneladas anuais.

Essa decisão tem uma imensa relevância histórica porque deve impactar os modelos de gestão das principais empresas petrolíferas do planeta, especialmente quanto à prioridade na redução da emissão de carbono em suas operações.

Infelizmente o governo brasileiro, que já comprovou que não tem compromisso algum com o meio ambiente, vai na contramão de tudo isso.

Futuro ou passado?

Ao fazer com que a Petrobras deixe de investir em energias potencialmente renováveis, o governo brasileiro impede que a estatal contribua com o desenvolvimento e infraestrutura para abastecer o país com fontes primárias que sejam sustentáveis e ofereçam os menores custos possíveis.

Em vez de diversificar a atuação da Petrobras e agregar valor no petróleo, inclusive para proteger a empresa e o país das variações de preços e instabilidades do mercado e da economia mundial (como fez a estatal diante da crise financeira global a partir de 2008), o governo Bolsonaro coloca em risco o futuro do Brasil.

Para que o nosso país volte a trilhar o caminho de crescimento econômico e social de forma sustentável, é preciso interromper agora o projeto de encolhimento das nossas empresas estatais. Afinal, são elas que podem proteger os interesses da população e contribuir para a construção de um futuro mais próspero e ambientalmente mais equilibrado.

Fonte: Petrobras Fica MG

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