Setores que pretendem lucrar muito com a venda das empresas estatais tentam vender para a população a ideia de que os serviços privados são mais baratos, e que se a Petrobras for vendida, o preço da gasolina vai baixar.

Infelizmente, isso é conversa para boi dormir. É apenas mais uma mentira que contam para atender aos interesses de grupos econômicos.

Ao privatizar as refinarias da Petrobras (como a REGAP, que fica em Betim-MG), o governo, na verdade, estará abrindo as portas para a criação de monopólios regionais privados nas regiões, sem garantia de aumento de competitividade que possa se refletir em redução de custo aos consumidores finais.

Esta informação está em um estudo elaborado pela PUC-Rio.

Além disso, destruiria cadeias produtivas, levando inúmeras empresas à falência, geraria desemprego em massa e afetaria a arrecadação de estados e municípios, que perderiam a capacidade de investir em políticas públicas necessárias para garantir o bem-estar da população.

Diferentemente da Petrobras, que possui toda infraestrutura logística distribuída pelo país, refinarias privatizadas não iriam dispor da mesma estrutura e, com isso, sua atuação acabaria limitada à própria região.

Alguns grupos já bem conhecidos no país despontam como grandes interessados na aquisição das refinarias: Raizen, dona dos postos Shell, e Ultrapar, dona dos postos Ipiranga, são algumas das grandes empresas interessadas na compra. A BR Distribuidora, responsável pelos postos Petrobras, já foi vendida no atual governo de Jair Bolsonaro.

O mercado de distribuição, pelos postos de combustíveis, ficaria ainda mais concentrado. Então, que quebra de monopólio é essa?

 

Privatização não diminui preço e piora o serviço

A privatização de setores estratégicos no país, realizada em grande parte no governo FHC (1994-2002), tem mostrado que o grande prejudicado é o consumidor, que recebe serviços de péssima qualidade e tarifas mais altas.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que nos últimos 20 anos as tarifas dos serviços públicos privatizados subiram acima da inflação. Foram estudados dados do setor energético, de transporte, educação, remédios, médicos e hospitais.

Nos combustíveis, esta tendência deve se manter, pois os preços deverão seguir vinculados aos preços internacionais e à variação do câmbio. Sem ter o poder público como principal participante, a política de preços não poderá ser alterada para outra mais favorável ao consumidor nacional.

 

O setor energético é um dos que mais traz prejuízos à população

Em novembro de 2020, a falta de capacidade, conhecimento e a ganância de uma empresa privada deixaram moradores do estado do Amapá por mais de 20 dias sem luz. Para resolver o problema, a estatal Eletronorte foi chamada.

Outro caso: quando ainda era senador, Ronaldo Caiado (DEM), hoje governador de Goiás, criticou a privatização da Companhia de Energia Elétrica de Goiás (CELG). Segundo ele, apesar de a maior empresa de Goiás ter sido vendida por R$ 1,1 bilhão, o governo estadual teve que assumir uma dívida da CELG com a Caixa Econômica Federal de R$ 2,4 bilhões, e outra de R$ 3,7 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em outra situação, o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, reclamou do serviço de energia elétrica prestado em sua região. Em janeiro deste ano, ao ficar sem energia elétrica em casa, mandou um e-mail para a Enel (empresa privada italiana que controla a distribuição de energia local) pedindo providências.

 

Vender mais caro para tornar as refinarias atraentes

Privatizar as minas de ouro que são as refinarias do país é o objetivo da atual gestão da Petrobras. E para ter sucesso, vale tudo, até produzir combustíveis a baixo custo e vender mais caro para os postos de combustíveis, com base no dólar.

Essa estratégia, no mínimo controversa, tem como objetivo agradar as empresas interessadas em comprar as refinarias, mesmo que signifique um preço mais alto para os consumidores.

A privatização da REGAP, que é um dos motores de desenvolvimento do estado de Minas Gerais, não vai reduzir o preço da gasolina. Vai aumentá-lo!

Para manter os preços dos combustíveis sob controle, só mantendo a estrutura da Petrobras estatal.

  #PetrobrasFicaEmMinas

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