PrivatizaçõesSãoUmRisco

No início de 2019, as cenas da tragédia em Brumadinho correram o mundo.

Imagens impactantes mostravam o rompimento de uma das barragens da empresa Vale (privatizada em 1996) e o avanço dos rejeitos de mineração na direção da cidade, em uma tragédia que deixou mais de 250 mortos. Foi o maior acidente de trabalho da história do Brasil.

Quatro anos antes, a mesma empresa já havia sido responsável por crime semelhante em outra cidade mineira, Mariana.

Os dois episódios ainda provam como as privatizações podem ser prejudiciais à sociedade porque essas empresas, fora do controle do Estado, passam a visar basicamente o lucro e tendem a reduzir investimentos, inclusive na manutenção das estruturas e em políticas de segurança aos trabalhadores.

Se a prioridade passa a ser a busca pelo maior lucro possível para distribuí-los aos donos e acionistas, investir no desenvolvimento de novas tecnologias, no aumento da qualidade do serviço ofertado e em políticas de segurança e manutenção da empresa passa a ser secundário.

Na Refinaria Gabriel Passos (REGAP), da Petrobras, que já foi incluída no plano de “desinvestimentos” da estatal, já é possível observar a redução das medidas de segurança. Como a intenção é vender a refinaria para a iniciativa privada, o processo de “sucateamento” das estruturas já acontece, o que aumenta os riscos de acidentes.

Além disso, a REGAP já vem praticando seguidos cortes de pessoal, promovidos por meio de Programas de Demissão Voluntária (PDV). Com menos funcionários atuantes fica ainda mais difícil manter em dia a segurança da unidade.

Acidentes

Não à toa, denúncias dos trabalhadores sobre as condições de segurança da REGAP vêm se tornando cada vez mais comuns, assim como as ocorrências de falhas de equipamentos e vazamento de produtos químicos inflamáveis, a maioria associados a falhas de gestão e falta de manutenção preventiva.

Danos incalculáveis

Se com os constantes cortes de investimentos a situação já preocupa, o cenário pode ficar ainda pior em caso de privatização.

No caso da REGAP, a falta de manutenção e de segurança pode significar vazamentos de produtos inflamáveis ou explosões, gerando danos incalculáveis ao meio ambiente e à comunidade do entorno da refinaria.

Por exemplo, uma explosão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), também conhecido como gás de cozinha, que é manejado dentro da REGAP, seria capaz de atingir locais a mais de 1 quilômetro de distância do local do acidente.

Outro risco é o rompimento de uma barragem de água mantida pela refinaria para abastecimento, com capacidade estimada em 20 milhões de metros cúbicos. Se, a exemplo do que aconteceu na Vale, a barragem fosse rompida por falta de cuidados com manutenção, a água poderia invadir vários municípios do entorno da refinaria, como Betim, Mário Campos, Sarzedo e São Joaquim de Bicas.

A diminuição de investimentos em função das privatizações pode significar um risco real à vida de centenas de trabalhadores e milhares de habitantes de cidades mineiras.

Onde o lucro é prioridade, a segurança está em segundo plano. A Petrobras e a REGAP precisam ficar em Minas Gerais e sob os cuidados do Estado brasileiro.

Fonte: Petrobras Fica MG

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