Por ser estatal, Petrobras faz “esforço extra” para atenuar crise hídrica

O Brasil vive uma crise no nível dos reservatórios de suas hidrelétricas, o que já tem causado altas nos preços e pode levar a sérios problemas de desabastecimento de energia. A fim de contribuir para atenuar esse cenário, a Petrobras resolveu adotar medidas para ajudar o Brasil em meio à crise hídrica, buscando garantir o abastecimento elétrico do país. Se a empresa não fosse estatal, isso seria possível?

O pedido de ajuda partiu da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), logo após o país ter passado pela pior estação chuvosa para as hidrelétricas em 90 anos, o que exige uma maior participação das termelétricas na geração de energia.

Para isso, foi necessário um “esforço extra” por parte da Petrobras, que teve que gerar aumento em sua oferta de gás natural para atender o acionamento maior de térmicas, além de disponibilizar mais infraestrutura e logística e mesmo aumentar a própria geração de energia.

A estatal possui 20 usinas termelétricas em diversas regiões do Brasil, inclusive 2 em Minas Gerais: as de Ibirité e de Juiz de Fora que, juntas, podem gerar até 313 megawatts (MW), suficiente para garantir o abastecimento de energia para milhões de mineiros.

Desde o começo de 2021, a Petrobras tem realizado ações para ampliar a oferta de gás e colaborar com uma maior geração de energia termelétrica. A oferta de gás natural foi elevada em 36%, por meio de importação e da maximização de produção de algumas unidades.

 

A culpa é só da ausência de chuva?

Apesar do Governo Federal declarar que a situação estava “sob controle” e responsabilizar exclusivamente a falta de chuvas pela falta de abastecimento, a questão não é tão simples assim. Evidentemente a falta de chuvas agrava a situação, mas há claros problemas de gestão, uma vez que há bacias cheias como, por exemplo, em Manaus e no Rio São Francisco.

Além disso, a questão da falta de chuvas tem ligação inquestionável com as mudanças climáticas, aspecto não só negado pelo governo de Jair Bolsonaro, como conta com a colaboração dele, afinal, o Brasil vem batendo recordes de desmatamento em sua gestão. Seu ex-ministro, Ricardo Salles, inclusive se demitiu com medo de ser preso por envolvimento em venda ilegal de madeiras.

O governo deveria estar investindo em ciência e em novas fontes de energia para tentar minimizar o problema no médio e no longo prazo, mas vai na contramão e corta os recursos.

Privatizações irão piorar a situação

A prova de que o governo Bolsonaro não se preocupa com o futuro energético do Brasil é o processo de privatização que tem imposto à Eletrobras, empresa responsável por 45,25% das linhas de transmissão e 40% das hidrelétricas do país, para deixar de ter uma atuação reguladora das diferenças energéticas do Brasil.

Fundada em 1953, a Petrobras é uma empresa estatal de economia mista, ou seja, uma empresa pública de capital aberto: outras empresas têm participação nas ações, assim como acionistas de diversos tipos, mas o Estado tem a maioria.

Por mais que os governos Temer e Bolsonaro tenham reduzido o compromisso social nos últimos anos, num processo gradual de privatização que segue em curso, o atendimento do pedido de ajuda da Aneel mostra a importância da administração estatal da companhia.

O diálogo e a colaboração entre Aneel e Petrobras se dá no âmbito das instituições estatais, teoricamente a serviço não de um governo, mas de políticas de Estado que não visam apenas a satisfação de seus acionistas, mas também os interesses estratégicos do país.

Certamente se a empresa fosse totalmente privatizada, como defendem setores representantes das elites dentro e fora do Governo Federal, essa articulação seria muito mais difícil, se não impossível, uma vez que a lógica que rege as empresas privadas é apenas a busca incessante pelo lucro, muitas vezes incompatível com os interesses da maior parte da população.

Fonte: Petrobras Fica MG

Compartilhe nossa campanha nas redes sociais

Instagram  |  Facebook | Youtube | Twitter WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *