Enquanto o resto do mundo discute alternativas de fortalecimento do Estado na economia para proteger a população da agressividade do mercado, no Brasil, a agenda de privatizações segue a todo vapor.

Com o preço da gasolina nas alturas, a “solução” encontrada pelo Governo Federal é seguir “passando a boiada” na Petrobras, liquidando tudo que é estratégico para a empresa e para o povo brasileiro.

A bola (ou o crime) da vez é vender a Refinaria Landulpho Alves Mataripe (RLAM), na região Metropolitana de Salvador (BA), a primeira grande refinaria em território nacional e ainda hoje uma das maiores e mais importantes para o país.

Instalada na década de 1950, a RLAM é “a mãe” de todas as refinarias da Petrobras e foi símbolo da campanha “O petróleo é nosso”, que comprovou a capacidade produtiva do Brasil.

Ignorando sua capacidade de refinar 333 mil barris de petróleo bruto por dia (a segunda maior do país), o Conselho de Administração da Petrobras já aprovou a venda desse valioso ativo da estatal. A transação ainda será analisada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que em decisões anteriores já deu aval para vendas de ativos da Petrobras em situações semelhantes.

No caso da RLAM, escândalo ainda maior fica por conta do preço pelo qual a venda está aprovada: 50% abaixo de seu valor de mercado. O comprador é o fundo financeiro dos Emirados Árabes, Mubadala Capital, que vai desembolsar pouco mais de US$ 1,65 bilhão para adquirir um patrimônio que vale mais de US$ 3 bilhões.

Sua estrutura é composta também por quatro terminais de armazenamento e um conjunto de oleodutos que interligam a refinaria e os terminais, totalizando 669 km de extensão

 

Patriotismo?

Apesar de enganar a população tentando se mostrar “patriota”, a venda de um patrimônio tão importante para os brasileiros comprova que o governo não tem compromisso com o país e com um projeto nacional de desenvolvimento.

Abrir mão da capacidade de refino significa ficar sujeito apenas à exportação do petróleo em estado bruto, que vale muito menos, e obriga o país a importar gasolina, que poderia ser produzida em território nacional.

Com isso, o Brasil fica duplamente dependentes do mercado internacional.

Com a alta do dólar (que vem batendo recordes desde o começo do governo Bolsonaro), a conta sobra para a população, que paga mais caro no litro da gasolina e vê o preço de tudo que é transportado com combustíveis derivados de petróleo disparar.

Ou seja, se desfazer da RLAM é uma escolha antinacional. Só agrada aos investidores estrangeiros, que estão pagando barato para lucrar às custas do Brasil.

 

Histórico

Além do fator econômico, a venda da RLAM ainda coloca ponto final em um histórico patrimônio nacional.

A instalação da “refinaria mãe” na Bahia foi o passo fundamental para que o Brasil se tornasse um dos maiores produtores de petróleo do mundo. A partir da sua instalação a cadeia produtiva de refino do minério foi impulsionada em todo país.

Além disso, a refinaria Landulpho Alves trouxe forte impacto para o desenvolvimento regional. Graças à RLAM, foi construído o primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do hemisférios-sul: o Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia.

 

A RLAM é um dos símbolos máximos da Petrobras e do desenvolvimento nacional. Abrir mão desse patrimônio é menosprezar a história e a soberania nacional, deixando a porteira aberta para mais privatizações e a liquidação de outras refinarias.

Afinal, se estão “vendendo a mãe”, não é difícil imaginar o que farão com as outras refinarias e ativos da Petrobras.

 

Na contramão do mundo

As quatro maiores petrolíferas do mundo são estatais. Na lista das 20 maiores do ramo, nada menos do que 13 são empresas públicas.

E entre elas, o que se vê é que todas apostam na forte presença em toda a cadeia produtiva do petróleo: extração, refino e distribuição. Nenhuma estatal petrolífera bem-sucedida no mundo tem optado por abrir mão de seus ativos.

Pelo contrário: dada a importância geopolítica do petróleo, estar presente em todas as etapas é a garantia de abastecimento para a população. Além disso, estão ampliando seus parques de refino e sua atuação em outros setores.

Mas, pelo jeito, o governo brasileiro decidiu obedecer a cartilha do mercado, que se aproveita das privatizações para ganhar dinheiro às custas dos esforços dos brasileiros.

Em um momento como este, está evidente que “patriotismo” do governo não foi além de um mero discurso de campanha.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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