Robin Hood é um herói inglês, que tomava da nobreza (ou recuperava) para dar aos pobres. Segundo a lenda, teria vivido no século XII, mesma época do Rei Ricardo Coração de Leão e das grandes Cruzadas.

Conta e história que ele era hábil no arco e flecha e vivia na floresta de Sherwood, onde era ajudado por um bando de amigos, do qual faziam parte João Pequeno, Frei Tuck, Allan Dale e Will Scarlet, entre outros moradores do bosque.

Prezava a liberdade, a vida ao ar livre, e o espírito aventureiro. Ficou imortalizado como “Príncipe dos ladrões”. Tenha ou não existido tal como o conhecemos, “Robin Hood” é, para muitos, um dos maiores heróis da literatura.

Aqui no Brasil temos o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que tem como missão zelar pela “livre concorrência” no mercado. Deve decidir sobre aquisições e fusões de grandes empresas.

Resumindo: o CADE deve impedir que grupos econômicos dominem determinados mercados, impedindo o excesso de concentração de poder econômico privado. O órgão foi criado para isso. Mas desde 2016, isso mudou.

Depois do que aconteceu em 18 de novembro, o CADE também passou a ser conhecido como “Robin Hood às avessas”.

 

Decisão do CADE criou oligopólio ainda maior no gás

O mercado de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) no Brasil, que inclui o “gás de cozinha”, é altamente concentrado, com cinco distribuidoras possuindo 92% do mercado: Ultragraz, Liquigás, Supergasbras, Nacional Gás e Copagaz.

Em meio a este oligopólio, a Liquigás, uma subsidiária da Petrobras, tinha um papel fundamental, que era o de atuar como moderadora do mercado em meio às demais empresas, favorecendo o consumidor ao “puxar para baixo” o preço do gás.

Dando sequência ao plano de desmonte da Petrobras, em 2019, o Governo Federal vendeu, sorrateiramente, a Liquigás por uma oferta de R$ 3,7 bilhões para o consórcio formado entre Copagaz, Itaúsa (holding de investimentos do Itaú Unibanco) e Nacional Gás.

O processo de venda dependia de aprovação do CADE que, em vez de promover a desconcentração de mercado, acabou aprovando uma concentração maior ainda.

E o Governo Bolsonaro, que repete aos ventos a defesa da “livre concorrência”, está promovendo um mercado cada vez mais voltado para benefício de poucos.

 

Público x privado

Enquanto a presença de empresas públicas em determinados setores econômicos é positiva, pois ajuda a regular preços, levando em consideração as necessidades da população, a concentração privada tem efeito contrário.

É muito comum a combinação de preços (o chamado “cartel), quando as poucas empresas que dominam o mercado fingem que fazem concorrência mas, na verdade, estão trabalhando juntas para cobrar mais caro da população, oferecendo serviços de pior qualidade (afinal, se todas nivelarem por baixo, não sobrará ao consumidor uma alternativa). Os exemplos mais comuns são as empresas telefônicas e os postos de gasolina (que são todos privados).

 

Agora serão apenas 4 empresas dominando

Em vez de aumentar a concorrência, a privatização da Liquigás vai reduzi-la. Agora, em vez de cinco, serão apenas quatro empresas dominando 90% do mercado de gás no Brasil.

O consumidor acaba de perder uma opção de compra. O preço do gás como ficará?

Certamente isso vai impactar no bolso dos brasileiros.

O governo tenta vender à população da mentira de que se privatizar as estatais, os custos para a população vão baixar. Na prática, é justamente o contrário.

E, neste caso, com a decisiva ajuda do “Robin Hood às avessas”, o CADE, o governo vai proporcionar o máximo de lucros para alguns poucos privilegiados.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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