Um dos muitos compromissos do governo Bolsonaro com as elites é o desmonte da Petrobras, por meio de privatizações de suas estruturas. A BR Distribuidora, por exemplo, maior distribuidora de combustíveis do país (e dona de quase 8 mil postos que levam a marca Petrobras), já foi, e a bola da vez são as refinarias, como a Gabriel Passos (Regap), em Betim-MG.

A justifica é clássica dos neoliberais (aqueles que acham que as pessoas só podem ter acesso a serviços essenciais se puderem pagar por eles): a mentira de que o setor privado é mais eficiente e, portanto, privatizar seria a melhor saída. A realidade, porém, é outra e vai tirar do povo brasileiro a autonomia energética, gerando combustíveis mais caros.

Logo de saída já é bom esclarecer que desde 1997 a Petrobras não tem o monopólio do petróleo no país. Sendo assim, qualquer empresa pode instalar uma estrutura de exploração por aqui, mas não é isso o que as multinacionais querem.

Eles querem é se apoderar, a preços de banana, da estrutura já montada pelo povo brasileiro em décadas de dedicação para poderem retirar o petróleo sem precisar investir muito, refiná-lo e vender de volta para nós a preços dolarizados.

A Regap, por exemplo, existe desde 1968, tem 12,8 mil quilômetros quadrados de área com capacidade de processamento de 24 mil metros cúbicos/dia (eram 7 mil quando começou). Produz gasolina, diesel, combustível marítimo, querosene de aviação, GLP, asfalto, dentre outros, e atende principalmente Minas Gerais e Espírito Santo.

 

Retrocesso secular

Se a estrutura da Petrobras cair nas mãos das grandes petrolíferas concorrentes ou de outros grupos econômicos, o Brasil deixará de ser um produtor de derivados de petróleo para ser um mero exportador de matéria prima (petróleo cru, a preço de banana) e importador do produto final (principalmente combustíveis, a preço de ouro).

Exatamente como éramos nos tempos de colônia com a cana de açúcar. E, como naqueles tempos, a importação ficará a mercê do mercado internacional, só que agora dolarizado.

Some-se a isso o fim da política de proteção do mercado interno contra as variações internacionais de preços (a partir do governo Temer) e temos a disparada que já vemos hoje nas bombas. Tendência que será agravada caso o país siga reduzindo o refino interno (que já ocupou 95% da capacidade das refinarias, mas depois chegou a cair para 60%).

 

Exemplos das teles

O mau da privatização de setores estratégicos já foi revelado no caso das telecomunicações. Em 1998, o governo FHC vendeu a Telebrás e, na esteira, foram as empresas estaduais. Resultado? Um mercado quase sem concorrência gerando serviços ruins a preços exorbitantes. De quebra veio a exclusão digital.

Uma rápida pesquisa no Procon mostra que as telecoms lideram há anos a lista de empresas mais reclamadas do Brasil. Só em 2020 foram 258 mil queixas, geralmente de cobranças abusivas e a falta de solução de problemas. Além disso, segundo o IBGE, um a cada quatro brasileiros (ou 46 milhões de pessoas) não tem acesso à internet.

Os neoliberais oportunistas dizem que foram as privatizações que popularizaram a telefonia. Mas não é verdade. A modernização e ampliação já era uma tendência mundial nos anos 90 graças a avanços tecnológicos. Antes mesmo da Telebrás ser privatizada, o custo de uma linha já tinha despencado de US$ 5 mil para US$ 20.

Hoje, esse mercado superconcentrado (que formou monopólios regionais e um oligopólio nacional), cartelização de preços (todos muito próximos), pouca cobertura e baixíssima qualidade acaba não servindo como um exemplo a ser seguido.

Para isso não se repetir com os combustíveis, só com #PetrobrasFicaEmMinas

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *