Toda empresa privada quer menos custos e mais lucros.

Em Minas Gerais, essa combinação acabou em tragédia, provocada duas vezes pela Vale.

Com a privatização da Refinaria Gabriel Passos (REGAP), a unidade mineira da Petrobras, isso poderá voltar a acontecer.

Confira, a seguir, um paralelo entre as duas empresas.

 

Os crimes da Vale

Quando era estatal, a Vale se chamava Vale do Rio Doce. Ela foi vendida por cerca de 3% do seu valor de mercado: apenas R$ 3,3 bilhões (estava avaliada em R$ 100 bilhões na época, mas com valores corrigidos ela valeria atualmente R$ 650 bilhões).

Setores oportunistas que lucraram com a venda usaram as mesmas desculpas que são usadas hoje por aqueles que também desejam lucrar com a venda Petrobras.

A privatização foi ótima para as elites (social, econômica, política e financeira), mas além de retirar do Estado uma empresa extremamente valiosa e lucrativa, ainda atingiu a nação com os maiores crimes ambientais da história recente do país.

Em 2015 e em 2019, as barragens da Vale se romperam, despejando uma lama de rejeitos nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho, respectivamente.

Conforme comprovado, os crimes ocorreram porque as estruturas das barragens foram construídas de forma precária, visando a redução de custos (para não reduzir os lucros). Os prejuízos foram incalculáveis:

  • Cerca de 300 pessoas morreram. Outras dezenas estão desaparecidas, até hoje;
  • Mariana sofreu o maior desastre mundial envolvendo barragens de rejeitos, e o maior impacto ambiental da história brasileira;
  • Brumadinho sofreu o segundo maior desastre industrial do século, e o maior acidente de trabalho no Brasil em perda de vidas humanas;
  • Ambas as cidades enfrentaram os piores acidentes da mineração brasileira;
  • Além de outros danos praticamente irreparáveis, jamais ocorridos nos 55 anos em que a Vale foi estatal.

 

Perigos da venda da Petrobras

A venda da REGAP também colocará o povo mineiro em grande perigo. Como é comum na iniciativa privada, os investimentos em manutenções preventivas serão reduzidos, assim como a segurança dos trabalhadores (já que a Justiça geralmente pende a favor do empresariado, muitas empresas consideram que o valor de possíveis indenizações – se forem condenadas, o que é raro – é menor do que o custo com prevenção).

Isso pode gerar mais tragédias terríveis em Minas – principalmente nas cidades de Betim (onde fica a REGAP), Ibirité, Mário Campos, Sarzedo e São Joaquim de Bicas:

  • Vazamento de gás combustível e sulfeto de hidrogênio (H²S): pode levantar uma nuvem tóxica potencialmente fatal, com alcance de até 2 quilômetros do local;
  • Explosão de um tanque de gás liquefeito de petróleo (GLP): o conhecido gás de cozinha, com alcance de até 1,5 quilômetro;
  • Rompimento de barragem da Lagoa da Petrobras: mantida para abastecer a REGAP, pode atingir mais de 500 residências em cada uma das cidades por onde a represa passar.
Velha tática

A gestão atual da Petrobras, a mando do Governo Federal, tem reduzido as medidas preventivas e os investimentos. Tudo isso tem sido arquitetado para que o povo acredite que a venda da REGAP é necessária. Trata-se da velha tática de “sucatear para privatizar” – já denunciada ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

Mudanças na política de gestão já estão afetando a refinaria:

  • Aumento do número de acidentes: inclusive graves, com afastamento de funcionários ou com alto potencial de danos;
  • Vazamento de dimetil dissulfeto: produto inflamável, nocivo e irritante. Pode causar danos irreparáveis aos olhos, dermatites e pneumonia potencialmente fatal;
  • Fechamento da unidade do Corpo de Bombeiros: anexo à Regap, deixou a refinaria mais vulnerável;
  • Precarização: falhas de equipamentos, vazamentos e piora nas condições de trabalho dos profissionais da unidade.

 

Tragédias em Minas: até quando?

Os crimes provocados pela Vale tornaram o Brasil o país com o maior número de mortes neste tipo de tragédia – de ordem industrial, humanitária e ambiental.

Contudo, a privatização da REGAP e de outras refinarias pode trazer danos tão severos ou até piores do que os provocados pela venda da Vale.

Isso não se repetir. Vender a REGAP? Não!

 

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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