“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, disse o ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels.

Sete décadas depois, setores oportunistas que pretendem ganhar muito dinheiro com a privatização das estatais brasileiras repetem essa mesma tática: tentam fazer a população acreditar que se as empresas públicas forem privatizadas, a corrupção irá acabar no Brasil.

E ninguém sofreu mais com essa mentira do que a Petrobras, afinal, empresas de qualquer porte (pequena, média ou grande), seja pública ou privada, está sujeita e enfrentar problemas por causa do comportamento de funcionários, no Brasil ou em qualquer país do mundo. Mas a estatal sofreu tanto e ponto de abafarem todo o benefício que ela traz para o Brasil e para os brasileiros.

O truque mesmo está em fazer o povo acreditar que isso só acontece nas estatais.

Mas isso nem de longe é verdade. Segundo um estudo da renomada consultoria Ernst & Young, na Inglaterra, empresas privadas do setor de petróleo e gás são as mais propensas a se envolver em casos de corrupção e de suborno a governantes (principalmente para adquirir blocos de exploração de petróleo).

 

Então, há corrupção nas petrolíferas estrangeiras?

Sim, há muita corrupção e diversos tipos de crimes:

  • Shell (2011): a anglo-holandesa foi flagrada em um escândalo de corrupção na Nigéria, envolvendo diversas autoridades do país africano. As proporções políticas e financeiras foram maiores do que as investigadas pela Operação Lava Jato no Brasil, resultando em processos e condenações criminais.
  • Exxon Mobil: norte-americana, firmou contratos escusos com uma empresa da família do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema. Na época, o então presidente da petrolífera, Rex Tillerson (ex-secretário de Estado do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos) foi acusado de financiar a ditadura de Obiang. Na Guiana (país que faz fronteira com o Norte do Brasil) a empresa forçou um contrato que causou mais de US$ 55 bilhões (R$ 300 bilhões, em valores de novembro de 2020) do governo, segundo a ONG Global Witness. Um valor 60 vezes maior do que o foi estimado pela Lava-Jato no Brasil.
  • Raízen (joint venture – espécie de fusão – entre a brasileira Cosan e a multinacional Shell) e Ultrapar (dona dos postos Ipiranga) foram denunciadas por formação de quadrilha para dominar o preço dos combustíveis nas bombas do Brasil. Diversos executivos foram presos.
  • Glencore, Trafigura e Vitol: segundo a Operação Lava Jato, as tradings (espécie de empresas intermediárias) foram suspeitas de participarem de esquema de corrupção com funcionários da Petrobras.
  • Lundin (petrolífera sueca) responde por acusações por sua conivência com as atrocidades ocorridas na disputa pelo petróleo que gerou uma guerra civil no Sudão do Sul
  • Total (petrolífera francesa) é acusada de subornar governantes de diversos países para conquistar contratos de óleo e gás.

 

Lobby bilionário para destruir o meio ambiente e manter a corrupção

Segundo a ONG Transparência Internacional, cinco das maiores empresas privadas de petróleo e gás do mundo (British Petroleum, Chevron, ExxonMobil, Shell e Total) gastaram, entre 2015 e 2018, mais de US $ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em lobby para “influenciar” governos e distorcer, reduzir ou eliminar políticas e leis de proteção ao meio ambiente.

 

Além da corrupção, o que essas empresas têm em comum?

Muitas dessas empresas estão interessadas não apenas no petróleo do Pré-sal brasileiro (algumas delas já venceram licitações), mas, também, em adquirir pedaços da Petrobras, especialmente refinarias.

Se isso ocorrer, o governo estará, como diria o ditado, “entregando o ouro para bandido”.

 

Sonegação também é corrupção

Engana-se quem acha que corrupção é apenas desvio de dinheiro em benefício próprio. Existe uma outra forma de corrupção ainda mais perversa: a sonegação de impostos por parte de empresas privadas.

Estima-se que o Brasil perca mais de R$ 500 bilhões por ano em sonegação. É quase três vezes mais do que o estimado em perdas do país por corrupção.

Além disso, empresas privadas deixam de pagar impostos estaduais e federais porque recebem gigantescas isenções fiscais.

Pois é! Isso prova que:

  • O Governo Federal está mentindo e a venda de refinarias vai gerar prejuízos para o Brasil;
  • A venda da Petrobras não é para acabar com a corrupção no nosso país;
  • Corrupção não é uma característica intrinsicamente brasileira nem está restrita a empresas públicas (pelo contrário, afinal há mais mecanismos para fiscalizar as empresas estatais do que as privadas)

 

Mamata dos políticos

Engana-se também quem acredita que a privatização seria positiva porque afastaria políticos oportunistas. Na verdade, a relação dos políticos com a iniciativa privada é ainda mais forte, afinal, boa parte é financiada por empresários, para que trabalhem em benefício de seus “patrocinadores” depois de eleitos.

Muitos políticos também recebem propinas durante o mandato para atuar em benefício de empresários ou grupos econômicos, buscando “facilidades” junto aos governos ou tentando aprovar leis que beneficiem seus “apoiadores”.

 

O Governo Federal aceitaria vender para estatais estrangeiras…

O governo finge que trava uma guerra “ideológica” quando, na verdade, tudo se trata em criar oportunidades para que alguns setores das elites ganhem cada vez mais.

Por isso, enquanto aqui no Brasil o governo e seus apoiadores fazem uma campanha permanente contra as empresas estatais, no cenário econômico não veriam problema em vender as empresas públicas brasileiras para estatais de outros países.

Portanto, não passa de “jogo de cena” para manter sua base de apoio sempre enfurecida contra algum inimigo invisível qualquer.

 

Não se trata de corrupção

Para o governo Bolsonaro e seus apoiadores, a privatização da Petrobras não se trata acabar com a corrupção.

É apenas parte de um projeto que beneficia interesses privados, e não o povo brasileiro.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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