BioCombustivelBrasileiro

O atual Governo Federal segue decidido a fazer com que a Petrobras deixe de ser uma das maiores empresas petrolíferas do mundo.

Se anos atrás a empresa expandia suas frentes de atuação, hoje o plano estratégico da estatal prevê que as atividades se voltem quase que exclusivamente para a exploração e venda do petróleo cru (na contramão de todas as grandes empresas do setor no planeta).

Ignorando a possibilidade de atuação alinhada com projetos de longo prazo e após anos de investimento em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias, importantes ativos como as usinas de energia eólica e de biocombustíveis estão sendo vendidos para a iniciativa privada.

O desenvolvimento dessas atividades estava diretamente relacionado com a política que os governos haviam escolhido a partir, principalmente, de 2008, com atenção especial para energia sustentável. Como empresa do ramo petroquímico, a Petrobras sabia que era necessária alguma contrapartida no sentido de proteção ao meio ambiente e alinhada com o “investimento verde”

Montes Claros

Símbolo desses “outros tempos”, a Usina de Biodiesel Darcy Ribeiro, em Montes Claros, foi inaugurada em abril de 2009.

O investimento em biocombustíveis unia o útil ao agradável, afinal, além de matriz energética ambientalmente mais limpa, a operação era uma grande oportunidade de lucro e tinha um mercado consumidor em franca expansão.

A partir do óleo retirado de plantas como soja, palmeiras e algodão, a usina de Montes Claros tem capacidade de produzir até 150 milhões de litros de biocombustível por ano, operação que além de causar menos impacto ao meio ambiente, gera emprego e renda para milhares de famílias do interior de Minas Gerais, envolvidas na plantação dos insumos.

Além de Minas Gerais, a Petrobras também montou usinas de biocombustíveis na Bahia e no Ceará, todas sob responsabilidade da Petrobras Biocombustíveis (PBio), subsidiária criada exclusivamente para atuar na área.

E os indicativos eram bastante positivos: o Brasil já ocupava posição de destaque entre os três maiores produtores de biodiesel do mundo e, após os primeiros anos de grandes investimentos, as operações se tornaram lucrativas. Só em 2019, o lucro líquido da PBio foi de R$ 243 milhões.

Desmonte

A partir da subida de Michel Temer ao poder, o cenário de expansão da Petrobras foi interrompido. Na contramão do mundo, onde grandes petroleiras apostavam (e ainda apostam) justamente na diversificação de atividades e na responsabilidade ambiental, o governo no Brasil decidiu que a Petrobras deveria se concentrar apenas na exploração e na venda do petróleo cru.

Refinarias foram incluídas nos “planos de desinvestimento” da estatal, parques de energia eólica vendidos para fundos de investimento e as usinas de biocombustíveis não escaparam desse cenário: a intenção do atual governo é passar a PBio e suas usinas para a iniciativa privada.

Além de abrir mão de uma atividade que já era lucrativa, a Petrobras vai jogar fora anos de investimento em energia limpa e a oportunidade de desenvolvimento sustentável. Perderá toda a mão de obra envolvida na produção dos biocombustíveis: dos agricultores aos profissionais com conhecimento técnico e estratégico que trabalhavam nas usinas.

O “investimento verde” é uma pauta praticamente obrigatória para o futuro, mesmo entre grandes empresas. Muitas já incluem o cuidado com o meio ambiente entre os critérios para seleção de seus parceiros ou fornecedores.

Pensar no futuro é investir no desenvolvimento sustentável. É olhar para as empresas estatais e para o investimento público como possibilidade de geração de emprego e renda aos brasileiros, e de fortalecimento da indústria nacional.

A PBio e a Usina de Montes Claros precisam permanecer com a Petrobras, para o bem dos mineiros e dos brasileiros.

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