Os desastres nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho são a prova do que acontece quando o lucro de empresas é colocado acima da segurança e da vida das pessoas.

Considerada a maior tragédia ambiental na área de mineração do mundo, o rompimento da barragem da empresa Vale em Mariana deixou 19 mortos em 2015.

Avisada por especialistas sobre os riscos iminentes, a empresa (privada) foi negligente. Afinal, achou que gastaria muito reforçando as medidas de segurança, e isso iria reduzir um pouco seus lucros. Provavelmente, os gestores não acreditaram que outra situação naquelas proporções poderia acontecer em breve.

Mas aconteceu. Três anos depois, a barragem de Brumadinho, também em Minas Gerais, estourou, levando a vida de mais de 270 pessoas, trazendo graves consequências ao meio ambiente e acabando com histórias e memórias da comunidade.

Com milhares de famílias abaladas, Minas Gerais vem sentindo essa ameaça novamente com a possibilidade de privatização da Refinaria Gabriel Passos (REGAP) da Petrobras, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte.

 

Roleta russa

Seguindo a política de desinvestimentos (um outro nome para “sucateamento”) da Petrobras, a REGAP foi colocada à venda em 2019, e vem sendo vítima de um profundo enxugamento de investimentos desde então. Em 2020, sofreu uma queda de 8,9% de produção.

Os cortes de recursos impedem que rotinas de verificação sobre a qualidade dos processos desenvolvidos dentro da unidade sejam cumpridas com eficiência.

É como se estivessem contando com a “sorte”. Mas quando se trata de um setor industrial que trabalha com produtos altamente tóxicos ou inflamáveis, é preciso muito mais para evitar que as vidas de trabalhadores e da comunidade sejam ameaçadas.

Um exemplo é que apenas nos dois primeiros meses de 2021, em 17 de janeiro e 11 de fevereiro, às plataformas P-65 e PCE-1, da Trident Energy, que adquiriu os polos Enchova e Pampo da Petrobras na Bacia de Campos, registraram vazamentos de gás,e petróleo e de água oleosa (contaminada com petróleo).

São situações que mostram para a sociedade os riscos de ocorrerem tragédias humanas e ambientais frequentes, caso o governo continue a implementar seu projeto.

Petroleiros que atuam em plataformas privadas passaram a trabalhar em escalas exaustivas em operações submarinas. Há casos de trabalhadores que ficam em confinamento por até 39 dias corridos.

A grande exaustão física e mental dos funcionários aumenta as chances de acidentes. Para aqueles que desenvolvem algum tipo de trabalho que mexe com cargas e movimentações pesadas, falhas em operações submarinas geralmente são graves, com alto risco de morte.

Junto a isto, o governo Bolsonaro tem afrouxado sistematicamente as regras de segurança do trabalho, para favorecer os grandes empresários do setor.

E há também outro fator de risco: algumas instalações que eram da Petrobras foram adquiridas por investidores de fora do setor petrolífero, que não conhecem os riscos consideráveis envolvidos em cada operação. Tentados a aumentar seus lucros, podem forçar a redução de medidas de segurança.

O cenário é ameaçador e predatório. O fatiamento da Petrobras para a iniciativa privada, aliada ao controle de gastos imposto pelo Governo Federal, reduz a eficácia de seus processos.

Enquanto estatal, a Petrobras tem uma história de cuidado com as comunidades das áreas nas quais desenvolve suas atividades.

É por isso que ela precisa continuar pública e o governo precisa deixá-la cumprir sua função social, garantindo investimentos e desenvolvimento com segurança para todo o país.

 

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