Uma das principais diferenças entre as atividades estatal e privada é que a primeira tem como objetivo final o atendimento às necessidades da sociedade e a segunda visa somente o lucro. Desta forma, é fácil perceber que quando há a privatização de qualquer empresa, os ganhos financeiros passam a ser mais importantes do que a população.

Podemos ver isso no caso das chamadas teles. Antes de ser entregue ao capital privado pelo governo FHC, a rede estatal de comunicação do país existia essencialmente para distribuir linhas Brasil afora. Com as mudanças tecnológicas que estavam acontecendo no mundo todo, ela estava ampliando seu alcance e reduzindo os preços.

Depois, as empresas que a compraram passaram a figurar entre as mais lucrativas do país, e também viraram as campeãs de reclamações dos clientes, seja junto a órgãos de defesa do consumidor ou pela quantidade de ações na Justiça.

Fatalmente, essa será a consequência caso o Governo Federal venda da Refinaria Gabriel Passos (REGAP), localizada em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. Veremos aumento do preço dos combustíveis por toda Minas Gerais, com reflexos no Espírito Santo e outros estados, queda da arrecadação de impostos e aumento do desemprego.

 

Bolsos dos acionistas

Se a REGAP deixar de ser estatal para se tornar privada, seu objetivo não será mais garantir combustíveis a preços mais acessíveis e nem contribuir para o desenvolvimento econômico e social da região. O foco será encher, ainda mais, os bolsos dos novos donos.

Para isso, certamente os compradores vão usar de sua “influência” junto a governos e parlamentares para pedir isenção de impostos. Se conseguirem, Minas Gerais deixará de arrecadar bilhões de reais todos os anos. Basta lembrar que a FIAT, também operando em Betim, recebe diversos tipos de vantagens fiscais.

Além disso, vão regular a intensidade da produção de acordo com o preços dos combustíveis. Quando ele estiver baixo, na visão dos acionistas, eles vão reduzir a oferta e, consequentemente, derrubar, ou até parar, a produção.

Como consequência, haverá aumento dos preços para os consumidores, demissão em massa na região (com impactos na economia das cidades) e queda na arrecadação de impostos, comprometendo a capacidade do estado promover políticas públicas para atender as necessidades da população

É bom lembrar que a REGAP tem capacidade de processamento de 24 mil metros cúbicos, ou 150 mil barris de petróleo por dia e produz, dentre outras coisas, gasolina, diesel, combustível marítimo, querosene de aviação, GLP e asfalto. Emprega 800 trabalhadores diretos e mais 1,3 mil terceirizados.

 

Micro e macro

A privatização da refinaria mineira é parte de um projeto maior: a intenção do governo, para atender aos interesses de setores que não possuem compromisso com os brasileiros, é vender 8 das 13 refinarias da Petrobras instaladas em outros seis estados. Se as vendas forem concretizadas, os prejuízos que mostramos aqui se multiplicariam por todo o território brasileiro, com um agravante: o Brasil perderia 50% de sua capacidade de refino.

Enquanto todas as maiores petrolíferas do mundo estão ampliando seus parques de refino e diversificando sua atuação, a Petrobras iria na contramão.

Para impedir que a maior e mais importante empresa do Brasil continue encolhendo, colocando em risco empregos e a qualidade de vida dos brasileiros, é preciso garantir que nenhuma refinaria seja privatizada, e que a Petrobras volte a priorizar o bem-estar dos brasileiros.

 

#PetrobrasFicaEmMinas #PetrobrasFica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *