Desde 2014, o Brasil sofre os efeitos de uma operação que se dizia anticorrupção, mas montou um esquema de poder paralelo que jogou o Brasil em um abismo (político, econômico e social), do qual o país não conseguiu sair ainda: a Operação Lava-Jato, que teve, ao mesmo tempo, amplo apoio da velha mídia e de setores que desejam se apropriar das riquezas do Brasil.

Só que a versão “oficial”, reproduzida por quase todos os grandes veículos de imprensa, escondia que por detrás deste véu de um enganoso discurso da limpeza moral e ética a qualquer custo (fácil de ser “vendido” para a maior parte da população brasileira), era operado um jogo de interesses políticos e econômicos.

 

Anticorrupção, só que não

Antes de tudo, é importante ressaltar que a operação que se dizia anticorrupção não só cometeu diversas ilegalidades (hoje mais do que comprovadas com os diálogos entre seus membros tornados públicos, e que tiveram sua autenticidade comprovada pela Polícia Federal e pelo STF), mas também espalhou diversas nulidades durante o transcorrer do seu processo, como atos jurídicos que geraram depois a anulação de penas de diversos condenados, por falta de provas ou outros desvios da acusação.

Ficou evidente que tudo não passou de um grande teatro que tomou conta do país, mas que foi organizado e conduzido apenas por interesses de seus membros e de seus apoiadores.

Basta ver a intenção de membros da operação que tentaram criar uma fundação usando suas esposas ‘laranjas’ (já que a instituição não poderia estar no nome deles) para gerir um fundo bilionário, a partir de recursos recuperados, que seria usado para pagar palestras caríssimas dadas pelos próprios procuradores que eram membros da organização.

Também ficou nítido que entre o juiz julgador e o grupo acusador havia relações impróprias que feriam o devido processo legal, com o juiz orientação a acusação sobre como proceder para legitimar decisões que já estavam tomadas.

 

Disputa mercadológica e liberalização do setor para estrangeiros

Coincidentemente ou não, foi no momento mais intenso de disputa dos recursos do Pré-sal (reserva gigantesca de petróleo abaixo da camada de sal no Oceano Atlântico) que a Lava-Jato acelerou seus desdobramentos e inseriu a Petrobras no seio de uma forte e profunda crise, com cobertura midiática internacional, para que todo o mundo acreditasse na mentira de principal empresa estatal brasileira era apenas fonte de corrupção.

As sucessivas crises provocadas pelo sangramento midiático que atingiu em cheio a companhia foram cruciais para a abertura de um rápido processo de liberalização do setor petrolífero para empresas estrangeiras (ou seja, a entrega do nosso setor estratégico, das nossas riquezas, para potências internacionais a preço de banana).

Ancorados pela justificativa de que desfinanciar a Petrobras era parte de uma estratégia de combate à corrupção, os governos que se sucederam após o ano 2016 (Temer e Bolsonaro), decidiram descapitalizar a companhia e retomaram novas tentativas de privatização.

Na esteira disso tudo foi iniciado o processo de desmantelamento da Petrobras com a venda de subsidiárias valiosas como a TAG, Liquigas e BR Distribuidora. Segmentos importantes, que eram parte da estratégia de diversificação de atividades da estatal.

 

As privatizações e o futuro incerto

É dentro deste contexto, em abril de 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, que a Petrobras anunciou a venda de 8 de suas 13 refinarias, incluindo a Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada no município de Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.

Com 900 trabalhadoras e trabalhadores diretos, e com quase 1.500 terceirizados, a incerteza sobre o futuro dos empregos preocupa funcionários, moradores do município, consumidores locais, e mineiros e mineiras de forma geral, já que a refinaria significa desenvolvimento econômico e empregos no estado há quase 53 anos.

 

Privatizar companhias não é sinônimo de redução da corrupção

Nos últimos tempos, inúmeros casos de corrupção envolvendo grandes empresas de outros países (inclusive, algumas que são líderes em seu setor) tomaram as páginas do noticiário.

A diferença é que em outros países, quando uma grande empresa se envolve em problemas (ou mesmo em corrupção), há um esforço para “limpar a casa”, isto é, responsabilizar e punir os criminosos, mas mantendo intacta a empresa e o setor econômico no qual ela atua.

Já no Brasil foi diferente. Em vez de preservar a maior e mais importante empresa do Brasil, os setores que desejam se apropriar das riquezas do petróleo brasileiro fizeram de tudo para manchar a imagem da Petrobras.

A intenção deles era reduzir o valor de mercado da estatal para ficar mais fácil comprá-la, caso o governo consiga fazer seus projetos de privatização avançarem.

É inegável que a corrupção é um problema grave, que precisa ser combatida de forma energética, e não com a entrega das nossas riquezas, pois isto significaria um novo assalto, e não um recomeço.

 

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