A maioria dos brasileiros já se incomodou com o preço dos combustíveis. Além de encarecer nossos deslocamentos, se o preço do combustível sobe, o valor dos produtos que precisam ser transportados também aumenta.

No Brasil, onde mais de 60% das cargas transitam nas rodovias, o preço dos combustíveis interfere em quase tudo que consumimos.

Por isso, ter poder de controle sobre o preço dos combustíveis seria algo bem importante para o nosso país.

Era justamente isso que acontecia até alguns anos atrás quando a Petrobras, nossa principal estatal e uma das maiores empresas do setor petrolífero do mundo, adotava uma política para impedir aumentos abusivos de preços.

Após o golpe que levou Michel Temer ao poder em 2016, o Brasil passou a utilizar a chamada política de preços de paridade internacional (PPI) devido, principalmente, a pressões de investidores estrangeiros e dos importadores brasileiros.

Ou seja, o valor que a Petrobras passou a vender o combustível em suas refinarias deve estar alinhado com o preço que é praticado internacionalmente.

O combustível passou a ser uma commodity como qualquer outra (como soja, trigo e café), que variam seu preço diariamente.

 

E o preço estrangeiro nos ajuda?

Se o que manda é o preço do mercado internacional, a Petrobras pode extrair e refinar petróleo gastando bem menos, que isso não irá diminuir o valor vendido nas refinarias.

Aqui, é importante explicar que, entre as refinarias e o preço para o consumidor final, nas bombas de combustível, estão incluídos a carga tributária, o custo do etanol que é obrigatório na composição (para reduzir a poluição) e mais as margens de lucro de distribuição e revenda nos postos de combustíveis.

E como a cotação é em dólar, em momentos como o atual, em que o real está desvalorizado, o preço dos combustíveis fica muito mais caro.

 

Abaixo da capacidade

Por conta da PPI, a Petrobras investe cada vez menos no refino do petróleo para transformá-lo em combustível, deixando que as importadoras nacionais supram a demanda trazendo o combustível de fora.

Por falar em importadoras, elas também exercem uma grande pressão no governo, porque como são empresas que trazem os combustíveis de fora (pagando o preço estabelecido pelo mercado internacional), é mais vantagem para elas que a Petrobras aumente o seu próprio preço.

Em algumas refinarias, a ociosidade da capacidade produtiva passa dos 30%. É um potencial enorme que não está sendo utilizado, de propósito. E essa baixa capacidade de utilização é manipulada como argumento para o governo privatizar refinarias.

Não à toa, o Governo Federal já incluiu oito das 15 refinarias do país nos seus “planos de desinvestimentos”. Entre as futuras vendas está a Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais. Só nela, a capacidade de refino é de mais de 166 mil barris de petróleo por dia, o que representa 7% da produção nacional.

É isso que deve ser considerado na hora de se discutir preços de combustíveis no país. Os brasileiros poderiam estar pagando menos na gasolina e no diesel, mas isso não acontece porque o atual governo não quer.

 

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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