Não é difícil perceber como agem os governantes e políticos de nosso país, quando o assunto é privatização e redução do Estado brasileiro.

Geralmente, o método de quem costuma trabalhar com esta agenda econômica é baseado em mentiras, distorções, omissões, falta de transparência com o povo ou, até mesmo, a tentativa antidemocrática do uso do canetaço (quando um governo aprova algo importante sem debater com a sociedade ou com os setores atingidos).

Na maioria das vezes, a população não concorda com um programa de governo ou projetos que irão prejudicar o futuro das pessoas.

É por isso que esses setores que pretendem entregar o patrimônio brasileiro costumam criar narrativas que não são baseadas na realidade (recorrendo, geralmente, à mentira) para continuar enganando as pessoas.

 

Exemplos na prática

O povo de Minas Gerais sente o impacto das decisões de dois representantes dessa agenda: o governador do estado, Romeu Zema, e o presidente Jair Bolsonaro.

Zema já tem três estatais em sua mira: a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Quando questionado sobre a possibilidade de plebiscito (realização de consulta popular antes de realizar as privatizações), Zema demonstrou o seu verdadeiro lado ditatorial: “não faz sentido consultar o povo”, afirmou. O governador disse ainda que espera que a Assembleia Legislativa derrube a obrigatoriedade da convocação do plebiscito.

O governo estadual não comprova a necessidade de vender as empresas estatais. Mas como sua plataforma é direcionada para privilegiar apenas a iniciativa privada, ele pretende aproveitar o restante de sua gestão para entregar o máximo de patrimônios dos mineiros.

Se isso se concretizar, Minas correrá riscos de apagões de energia, como o de Roraima no final de 2020.

É importante frisar, entretanto, que Minas Gerais não sofre apenas com a ganância do governo estadual, mas também com os impactos das políticas do Governo Federal, que determina as diretrizes para a Petrobras.

A velha fórmula de sucatear primeiro, para depois viabilizar a venda de estatais, está sendo aplicada na refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada na cidade de Betim.

A redução de investimentos é tão significativa que até acidentes com sérias proporções foram causados pela falta de financiamento adequado.

Se não barrar o processo de privatização da Regap, a população do estado vai sentir o aumento do desemprego, o impacto no preço do combustível e na falta de recursos para que Minas tenha condições de desenvolver as políticas públicas para atender às necessidades da população.

 

As distorções do governo

As artimanhas e estratégias para entregar o patrimônio dos brasileiros não param aí. Como sabe que quase 70% da população não concorda com a privatização da Petrobras, o governo resolveu apelar para distorções de informações, na tentativa de conseguir apoio popular e, consequentemente, facilitar a privatização (inteira ou em parte, com a venda de ativos e subsidiárias).

Ainda no final de 2020, o próprio Governo Federal publicou um documento no intuito de convencer as pessoas de que os salários nas estatais são muito altos, mas usou uma metodologia bastante questionável, sem demonstrar a gigantesca desigualdade entre os salários dentre da mesma empresa, especialmente em relação aos diretores.

O que eles não contam é que não são os trabalhadores das estatais que ganham muito, mas sim a média salarial nacional que é muito baixa e insuficiente para que outras categorias consigam viver de forma digna.

Para comprovar que os argumentos do governo são distorcidos, um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) com dados de grandes petrolíferas estrangeiras (como British Petroleum, da Inglaterra; Equinor, da Noruega; Royal Dutch Shell da Holanda; e Total, da França) mostrou que a média de remuneração salarial anual por trabalhador é maior nessas companhias do que na Petrobras.

O estudo também mostrou que entre 2014 e 2019 houve queda na remuneração média desses funcionários.

A sociedade brasileira precisa permanecer atenta e vigilante quanto ao seu patrimônio, impedindo que as mentiras e os factóides se espalhem.

Os brasileiros e as brasileiras já sofreram demais com a desinformação. É necessário seguir derrubando mitos e mentiras e reafirmando que o que aquilo que beneficia o povo não deve nunca servir apenas para interesses privados.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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