A substituição de combustíveis fósseis por combustíveis alternativos é uma tendência mundial que ganha mais força a cada ano que passa.

Petrolíferas do mundo inteiro têm realizado intensas pesquisas para desenvolver novas matrizes energéticas menos poluentes com o objetivo de proteger o meio ambiente.

Os novos combustíveis que estão sendo desenvolvidos apresentam menor índice de poluição com a sua queima e processamento; podem ser cultivados e, portanto, são renováveis; geram empregos em sua cadeia produtiva e diminuem a dependência em relação aos combustíveis fósseis.

O Brasil é um dos países que estavam mais avançados no desenvolvimento desses combustíveis, graças a investimentos feitos pela Petrobras em anos passados.

Mas, agora, o governo brasileiro resolveu andar na contramão do mundo.

 

Caminho errado

Desde seu início, em janeiro de 2019, o atual governo tem traçado uma “cruzada” contra as questões ambientais.

Recordes de desmatamento, perseguição a ONGs que lutam pela natureza, intervenção em órgãos governamentais – como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) –, ampliação da mineração em áreas ilegais, flexibilização e redução das multas por crimes ambientais são apenas uma pequena parte da linha política adotada contra o meio ambiente.

Tudo isso também se revela nos caminhos adotados pelo governo nas empresas estatais.

A Petrobras anunciou recentemente a intenção de venda da Petrobras Biocombustível S.A, a PBIO, que possui três plantas de produção: Montes Claros (MG), Candeias (BA) e Quixadá (CE).

A PBio é a sexta maior produtora de biodiesel do país, com 5,5% do mercado nacional e é estratégica para a diversificação produtiva da Petrobras e na transição energética, pois produz energia por outros meios que não a de origem fóssil.

O consumo no país cresceu, tornando-se um dos maiores do mundo, e aumentará ainda mais devido à aprovação do aumento da mistura de biodiesel pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Este índice passará de 12%, em 2020, para 15%, em 2023, aumentando em 25% a demanda.

Trata-se de um setor altamente lucrativo e com mercado em expansão. Em 2018 e 2019, a PBio apresentou lucros líquidos de R$ 179,7 milhões e R$ 243,5 milhões, respectivamente.

 

Impacto na imagem e no valor da Petrobras

Os inúmeros erros do governo e o direcionamento adotado para a Petrobras (com foco apenas na extração e na venda de petróleo cru) fizeram o valor de mercado da estatal despencar em março de 2020.

A empresa já estava sendo afetada pela conjuntura internacional e pelo início da pandemia do novo Coronavírus (que reduziu o consumo mundial de petróleo), mas as escolhas e posicionamentos do governo mancharam a imagem da estatal, fazendo com que ela perdesse metade de seu valor de mercado, caindo de R$ 400 bilhões para cerca de R$ 200 bilhões.

Foi a empresa petrolífera que mais perdeu valor neste ano. Com isso, a Petrobras deixou de ser a empresa mais valiosa da América Latina.

 

Recordes de produção de combustível limpo

As usinas da PBio produzem biodiesel a partir de óleo de soja, algodão, palma, gordura animal e óleos residuais.

A capacidade produtiva dessas plantas cresceu nos últimos anos, chegando à capacidade instalada de 580 mil m³/ano de biodiesel.

Com esse aumento, o Brasil se tornou o terceiro maior produtor de biodiesel no mundo, atrás apenas da Indonésia e dos Estados Unidos.

Em outubro de 2020, a Refinaria Gabriel Passos (REGAP), que fica em Betim (MG), refinou 190 mil m³ de Diesel-S10 – a maior produção da história! O recorde anterior foi de 171 mil m³, registrado em setembro de 2019.

A venda do combustível pela REGAP também superou a série histórica: foram comercializados 165 mil m³ no período, superando o recorde do mês anterior (162 mil m³).

Em julho, a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, realizou os primeiros testes em escala industrial para produção do diesel verde, combustível que já é largamente utilizado em países europeus e nos Estados Unidos.

Nesse teste, foram processados 2 milhões de litros de óleo de soja, que resultaram na produção de cerca de 40 milhões de litros de óleo diesel com conteúdo renovável.

O óleo marítimo (bunker oil), que possui menos enxofre em sua composição, foi responsável melhorar os resultados contábeis da Petrobras no segundo trimestre do ano.

Segundo especialistas, as refinarias que estão para serem privatizadas, principalmente as do Nordeste, têm aumentado sua participação na receita da Petrobras justamente pela produção óleo marítimo de navegação, especialmente a Abreu e Lima (RNEST), de Pernambuco, e a Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.

Andar na contramão do mundo parece ser a tônica deste governo. E não faz qualquer sentido abrir mão de um setor que, além de ser fundamental para a preservação do meio ambiente, ainda é responsável por gerar emprego, renda e desenvolvimento.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

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