Um patrimônio inimaginável do povo brasileiro, conquistado com o sangue e suor de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, está sendo concedido ao capital estrangeiro uma verdadeira mixarias.

A história trágica das privatizações brasileiras está sendo reescrita: o que fizeram com a Vale do Rio Doce, vendida a preço de banana nos anos 90, agora se repete com o fatiamento e a venda gradativa da Petrobras.

No dia 8 de fevereiro deste ano (2021), a diretoria da Petrobras confirmou que havia concluído a rodada final do processo de venda da refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM), na Bahia. Era chamada de refinaria-mãe por ter sido a primeira da estatal brasileira.

A “melhor” oferta foi feita pelo fundo árabe Mubadala Capital, que pertence ao governo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O valor? US$ 1,65 bilhão de dólares (equivalente R$ 8,87 bilhões de reais, segundo a contação de fevereiro de 2020).

O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), entretanto, publicou um estudo que apresentou novas e explosivas informações: a refinaria valeria entre US$ 3 e US$ 4 bilhões dólares (R$ 15 bilhões a R$ 22 bilhões), ou seja, o governo decidiu entregar uma parte importante do patrimônio nacional por menos da metade de seu valor.

 

Incoerência

Há uma enorme diferença entre o que o governo diz para seus apoiadores e o que faz na prática: os grupos que apoiam o governo aprenderam, depois de consumir muitos memes de internet e muitas fake news, que tem que “privatizar tudo”, porque “governos não devem ser donos de empresas” e outras coisas sem fundamento.

Enquanto isso, o governo brasileiro faz de tudo para vender uma refinaria para um fundo estatal de outro país. Nessa visão distorcida da realidade, o governo brasileiro não pode ter estatal, mas o governo de outro país pode.

 

Rastro de pólvora

A venda da unidade RLAM na Bahia não é um caso isolado. Em 2019, por exemplo, a Petrobras já havia iniciado um processo de venda da refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim, Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e de outras unidades.

No total, o governo colocou à venda 8 de suas 13 refinarias. Se as vendas forem concluídas, a Petrobras perderá metade de sua capacidade de refino, encolhendo para se tornar cada vez mais uma empresa focada basicamente na extração e na venda de petróleo cru (na contramão de todas as grandes empresas do setor no mundo).

A liquidação da Refinaria Landulpho Alves mostra que o objetivo é a pura e simples entrega do nosso setor estratégico construído há quase 68 anos.

Vender as refinarias da Petrobras vai comprometer nosso potencial de crescimento. Enquanto os brasileiros sofrem, o capital estrangeiro agradece.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *