Diferentemente de empresas privadas, as estatais devem operar alinhadas não apenas com a busca pelo lucro, mas de acordo com projetos públicos de longo prazo. Afinal, o que manda é o interesse público e o que é estratégico para o país, que pode utilizar a capacidade produtiva e de investimento de uma boa empresa estatal para, por exemplo, desenvolver novas tecnologias.

Até alguns anos atrás, era isso o que acontecia com a Petrobras. Além de sempre se demonstrar sustentável financeiramente no ramo petroquímico, a empresa buscava atuar em outras frentes, alinhada com iniciativas do governo brasileiro pensadas a longo prazo.

Entre 2008 e 2011, a Petrobras traçou alguns planos de investimento que incluíam desenvolvimento de energia sustentável.

Sabendo das transformações do mundo e da importância da pauta ambiental, a empresa decidiu investir em biocombustíveis que, ao contrário do petróleo, são uma matriz energética ambientalmente limpa, que causa menos impacto à natureza.

É o que muitas multinacionais petrolíferas estão fazendo. A diversificação das atividades faz parte das estratégias para garantir a sustentabilidade no futuro.

PBio

E esse plano de investimentos em energia sustentável vinha dando certo, com a Petrobras se inserindo cada vez mais no mercado de biocombustíveis a partir de uma subsidiária própria para isso: a Petrobras Biocombustível (PBio).

Entre as iniciativas da PBio está a Usina de Biodiesel de Montes Claros, em Minas Gerais, inaugurada em 2009 e que atualmente gera trabalho produtivo para mais de nove mil famílias.

Outro promissor braço de atuação da PBio era a Belém Bioenergia Brasil (BBB), um empreendimento para a produção de óleo vegetal e biocombustível no estado do Pará, tocado em parceria com a petrolífera portuguesa Galp.

Mas, antes que a Petrobras pudesse colher os frutos desse investimento em energia limpa, e por uma escolha política e econômica visando atender o interesse de investidores estrangeiros, o governo brasileiro decidiu abrir mão de sua participação na iniciativa. E pior: a venda da parte que pertencia a Petrobras no negócio foi efetuada por um preço irrisório, bem abaixo do valor de mercado e do grau de investimento feito pela estatal no passado.

A falta de compromisso do atual governo brasileiro com a proteção ao meio ambiente vai além. O objetivo agora é interromper todos esses projetos e privatizar a PBio. É mais um passo em direção ao enfraquecimento das políticas de construção de um futuro com desenvolvimento sustentável.

Petrobras fica em Minas Gerais

Com todo este cenário, fica cada vez mais claro que o governo federal quer fazer a Petrobras deixar de ser de ser uma empresa de matriz energética ampla, alinhada com os cuidados ambientais, tão importantes e discutidos no século XXI, para focar apenas na extração de petróleo e manter em funcionamento algumas poucas refinarias.

De olho no futuro, o Brasil precisa manter as unidades de biocombustíveis da Petrobras sob o controle estatal.

Não há razão para jogar fora anos de investimentos em energia limpa e sem se importar com o papel dessas iniciativas para o desenvolvimento regional.

É a geração de energia sustentável e o trabalho de milhares de famílias que está em jogo. A PBio e a Petrobras precisam ficar em Minas Gerais, para bem do povo mineiro.

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