Um incêndio em uma subestação de energia elétrica da empresa Gemini Energy (ex-Isolux) deu início a dias de desespero para a população do estado do Amapá com um apagão que deixou milhões de pessoas no escuro por semanas, no começo de novembro de 2020.

Ao colocar em risco a vida e a dignidade dos moradores do estado, a empresa ainda deixou evidente como a ganância, a incompetência e a irresponsabilidade do setor privado ao prestar serviços públicos podem trazer prejuízos irreparáveis a todos nós.

E para que a vida de todos pudesse voltar ao normal, foi necessária a presença do poder público: a estatal Eletrobras, por meio da Eletronorte, foi chamada para resolver o problema, já que ficou clara a falta de capacidade da empresa privada.

 

Quem são a Gemini Energy e a Isolux

A empresa espanhola Isolux era dona da Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), que ganhou a concessão das linhas de transmissão do Pará para o Amapá em 2008, pelo prazo de 30 anos.

Após uma série de problemas financeiros na Espanha, em 2016 a empresa entrou em processo de recuperação judicial. No final do ano passado, a Isolux vendeu a concessionária LMTE à Gemini Energy.

A Gemini tem como acionistas dois fundos de investimento: Starboard (80%) e Perfin (20%). A participação da Starboard se dá pelo fundo Power Fip, e a da Perfin, pelo fundo Apollo 14 Fip.

O contrato de concessão assinado em 2008 pela Isolux previa penalidades em caso de descumprimento das obrigações. Estava prevista a construção do sistema em 36 meses e a LMTE faria a operação das instalações de transmissão, incluindo as subestações.

A empresa passou a receber por ano R$ 71,8 milhões do Governo Federal, reajustados anualmente, por este serviço. Estava previsto também que, em caso de descumprimento do contrato, fosse aplicada uma multa de 2% à empresa sobre o valor recebido nos últimos 12 meses.

Se houvesse interrupção do serviço por mais de 30 dias, o contrato poderia ser extinto.

O prejuízo do apagão no Amapá, estimado em R$ 69 milhões, deverá será pago com recursos de todos os brasileiros.

 

Quando a coisa aperta, é o Estado que salva

Em 2019, quando manchas de óleo surgiram no litoral do Nordeste e chegaram até o Sudeste, foi a Petrobras que colocou toda sua estrutura para combater e controlar a contaminação ambiental. Até hoje os responsáveis pelo derramamento não foram encontrados.

As empresas estatais são muito mais especializadas para desenvolver soluções em situações emergenciais do que as privadas. Isso acontece porque seus funcionários, que ingressam por concurso público, desenvolvem longas carreiras e vão se especializando cada vez mais com o tempo.

Na Petrobras, por exemplo, existe a Universidade Petrobras, responsável por garantir a qualificação permanente do corpo de funcionários. Foi assim que ela especializou milhares de funcionários para desenvolver soluções para vencer a pressão, a temperatura e a dureza das rochas no caminho para os reservatórios do Pré-sal, a gigantesca reserva de petróleo descoberta em 2006.

Desde que o Governo Federal sinalizou a intenção de vender refinarias de petróleo da Petrobras, entre elas a Refinaria Gabriel Passos (REGAP), grupos econômicos e fundos de investimentos do mundo inteiro já demonstraram interesse em entrar na jogada, afinal, nossas refinarias são extremamente lucrativas.

E são empresas assim, cobertas de ganância, incompetência e irresponsabilidade que querem controlar o maior motor de desenvolvimento do estado de Minas Gerais, a REGAP.

Isso não pode acontecer! A REGAP é de todos os mineiros e a Petrobras é de todo o Brasil! Vem com a gente lutar! #PetrobrasFicaEmMinas

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