Imagina que você tenha uma casa ampla, confortável e que te atende perfeitamente bem. Um dia, você resolve vender a casa a um preço bem barato e continua morando nela pagando aluguel. Parece um bom negócio?

Óbvio que não.

Este é o tipo de negociata que o Governo Jair Bolsonaro resolveu fazer com a Petrobras.

Em 2019, o governo mal tinha tomado posse e já deu início ao desmonte da petrolífera brasileira com a venda do controle acionário da BR Distribuidora, deixando assim de ter poder sobre as decisões da empresa.

No apagar das luzes do ano passado, a Petrobras anunciou o fechamento de um acordo no valor de R$ 148,5 milhões para comprar óleo diesel marítimo da BR Distribuidora. O contrato foi assinado em 2 de dezembro, com vigência de 1.095 dias, prorrogáveis por mais 730.

Uma negociação absurda, mas que se tornou um belo presente de Natal para o grupo de investidores que adquiriu a BR Distribuidora, não é mesmo?

Agora a Petrobras precisa comprar óleo diesel de uma empresa que era sua até pouco tempo atrás.

 

Os bons tempos da Petrobras do poço ao posto

A BR Distribuidora era responsável por 10% das receitas da Petrobras, e foi criada em 1971, em um momento em que a demanda por combustíveis crescia bastante. Naquele cenário, as multinacionais já tinham suas distribuidoras operando e dominando o mercado.

A BR Distribuidora começou com pouco mais de 20% do mercado, mas se tornou a maior distribuidora do país em 1974.

O segredo estava justamente em ter todos os processos dentro da mesma empresa, reduzindo custos (o que é hoje a tendência das grandes empresas) e o preço dos produtos para o consumidor. Era a Petrobras do poço ao posto.

Entre tantos prejuízos dessa política de desmonte, um afeta diretamente a população: a demora para que os consumidores sintam a queda nos preços dos combustíveis quando há redução dos preços nas refinarias.

Ao vender a BR Distribuidora, o país perdeu uma ferramenta importante de controle de preços. Isso porque o restante da cadeia produtiva, que é privado, tentará lucrar ao máximo em todo o percurso até o consumidor.

Prova disso é que mesmo a Petrobras reduzindo o preço nas refinarias, muitas vezes não há redução do preço final nos postos (ou a redução demora a chegar ao consumidor).

 

Prática recorrente

No governo Temer, outro absurdo desse tipo já tinha acontecido com a venda da malha de dutos do Sudeste (com cerca de 2,5 mil quilômetros de extensão).

Na prática, o que aconteceu foi a transferência de infraestrutura da Petrobras para empresas privadas, sem nenhuma legislação que regulasse esse tipo de negociação. Isso permitiu à empresa compradora praticar as tarifas que desejar no mercado de distribuição do gás em território brasileiro.

O valor da venda ficou na casa de US$ 4,23 bilhões. Veja o absurdo: a Petrobras hoje paga US$ 1 bilhão por ano de aluguel para usar esta malha. Ou seja, num curto prazo a transação já se tornará um imenso prejuízo. Em 4 anos a Petrobras terá devolvido todo o dinheiro que recebeu na venda!

É o desmonte da Petrobras favorecendo o capital privado, e o povo sofrendo o resultado no bolso.

 

#PetrobrasFicaEmMinas

 

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